Emotions... Why not?

Um blog que procura ser uma viagem, à procura das emoções humanas.

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Emotions seeker...

02 agosto, 2007

Onde param as nossas figuras públicas?

"Longe vão os tempos em que as nossas figuras públicas eram os nossos poetas, os nossos músicos, os nossos actores talentosos, no fundo, aqueles que se destacavam pelos seus feitos. Quem não lembra saudosamente o nosso Fernando Peça, a Amália Rodrigues, o Vasco Santana ou o Zeca Afonso? Nessa altura a revista “Maria” devia ser a única publicação nacional que se focava nos actores das telenovelas (todos brasileiros), e nos poucos portugueses que iam dando os primeiros passos na tentativa de fundar o “Jet Set” português.
O “Jet Set” surgiu em Inglaterra, nos anos 50, e a aparente alusão do termo a um avião a jacto, ao contrário do que se possa pensar, não é coincidência. Inicialmente, os senhores do “Jet Set” eram os senhores da elite financeira, que tinham poder económico para andarem de jactos particulares, daí o termo “Jet Set”. Ora, actualmente é certo que os cidadãos pertencentes ao “Jet Set” português, não têm propriamente dinheiro para comprarem aviões a jacto… Basta pensar em todos os ex-concorrentes dos mais variados concursos do tipo “Big Brother”, todos eles passaram a pertencer ao “Jet Set”... Ainda me lembro do Sr. Artur Albarran apresentar uma pérola da televisão portuguesa, o programa “Acorrentados”, programa este que terá sido um grande fornecedor de celebridades para as revistas da especialidade…
Assim, torna-se evidente que há dois tipos de pessoas no “Jet Set”. As primeiras são as descartáveis, são de usar e deitar fora, e provêm fundamentalmente de programas do tipo “Big Brother”. As segundas, são as renováveis, que à custa de pillings, colocações de Botox ou silicone numa qualquer parte do corpo, romances ensaiados, alterações de penteado/coloração do cabelo, plásticas e outros malabarismos estéticos e verbais se vão mantendo na mó de cima…
Quanto aos primeiros não assustam ninguém, mas no que se refere aos segundos… Que modelos são estes? A Paula Bobonne e as suas regras de etiqueta, o Macaco Adriano e o João Baião, a Lili Caneças, o Herman José, o José Castelo Branco, o Cláudio Ramos, a Betty Grafstein, a Bibá Pitta, a Cinha e a Pimpinha Jardim, e claro, o nosso D. Duarte e a sua Isabelinha... Confesso que depois de citar todos estes nomes quase me vêm as lágrimas aos olhos… Peço desculpa mas… “Bibá Pitta”? O que quererá isto dizer? O que é que passa pela cabeça duma pessoa para se auto-denominar como Bibá Pitta? Com um nome destes o objectivo só pode ser passar a fazer parte dos trocadilhos da malta das obras… Meus caros, o que me parece é que isto de pertencer ao “Jet Set” virou profissão, e para se ser um bom profissional só tem que se ser tão pindérico e ridículo quanto possível…
Devo realçar que por muito que me custe compreender estes senhores e vê-los constantemente nas capas das nossas revistas e tablóides, isso é problema deles. Agora, o que me custa realmente compreender é que as pessoas gastem dinheiro para comprarem este tipo de publicações. É que quem paga as extravagâncias destes senhores somos todos nós, os que compram as revistas, os que consomem o lixo televisivo onde eles aparecem, e ainda pior, aqueles que não têm outra opção que não seja crescer a ver estes senhores na televisão e quiçá a querer ser como eles… Por incrível que pareça, e por mais lamentável que seja, a verdade é que estes senhores já fazem parte da nossa memória colectiva, da nossa cultura, colam e não descolam mais…
Talvez os pedagogos deste país devessem raciocinar sobre este fenómeno do “Jet Set” e sobre como conseguir dar outras referências aos nossos jovens, porque eles precisam delas e precisam que sejam boas. Acabo por concluir que felizmente temos a Floribela e os Morangos com açúcar, que pertencendo ao “Jet Set” descartável, reacendem a esperança de que desapareçam de cena e mais ninguém se lembre deles…
Depois disto tudo, na sombra continuam Sobrinho Simões, António Damásio, Maestro António Vitorino de Almeida, José Saramago, António Lobo Antunes, Teresa Salgueiro e tantos outros… A minha esperança é que António Damásio, um reputadíssimo Neurologista e Neurocientista português, que além de muitos outros aspectos, estuda as áreas cerebrais responsáveis pela tomada de decisões e conduta, descubra qual a perturbação de que padecem estes senhores do “Jet Set”, cujas decisões e conduta me parecem merecedoras de uma investigação aprofundada…"
in "Roda Viva"

14 março, 2007

Era uma vez uma OPA…

Ao longo do ano que passou a palavra OPA vulgarizou-se no quotidiano dos portugueses, nas mais diversas situações.
Já todos conheciam o vulgar “opa opa” como quem diz “opa opa, mexe-te daí”, assim como o também conhecido “opa…” como quem está dizer um “o pá que chatice…”, não esquecendo ainda o mais rebuscado “opa” usado como cumprimento – “opa – tudo bem?”. O que nem todos os portugueses conheciam e aprenderam a conhecer ao longo do último ano, foi o termo “OPA” significando: Oferta Pública de Aquisição.
Contudo, na minha opinião, o termo OPA significando Oferta Pública de Aquisição, não passa de uma combinação desses outros três possíveis significados há muito conhecidos. A minha crónica deste mês procura explicar a razão pela qual penso assim.
A Sonaecom, com o determinante apoio do banco espanhol Santander, por intermédio do seu CEO – Paulo Azevedo, lançou uma OPA à PT, vulgo: “Opa Opa Sr. Granadeiro, vá lá embora daí que agora quero mandar eu”. Anteriormente já o Sr. Paulo Azevedo, em colaboração com o seu pai, Belmiro de Azevedo, tinha mandado “opa’s” ao Banco Santander como quem diz “opa amigo, tudo bem?” ao que os senhores do Banco Santander terão respondido “opa”, como quem diz: “estaria tudo era se nós financiássemos uma OPA vossa sobre a PT, de modo a que os nossos amigos da Telefónica ficassem com a Vivo, deixando para vocês a TMN”. Perante isto, a família Azevedo terá dito: “opa opa”, como quem diz, “vamos a isso”.
Seguidamente o Banco Santander terá dito “opa” ao Sr. Granadeiro, como quem diz: “Oh Pá, lamento, mas embora conheçamos intimamente a PT e tenhamos sido durante muito tempo um dos bancos da vossa confiança, interesses mais altos se levantam e queremos dar cabo de vocês.”
Perante isto, o Sr. Granadeiro terá dito ao Clã Azevedo e aos senhores do Santander “opa opa”, como quem diz, “podem vir que nós não temos medo de ninguém”. Aproveitou e mandou “opa opa” também para os funcionários, BES, CGD, Eng. Sócrates, Sr. Berardo e outros, como quem diz: “amigos, opa opa, vamos lá juntar-nos para impedir que esta OPA nos leve”. Esses senhores, à excepção do Eng. Sócrates, terão respondido “opa opa”, como quem diz: “sim sim, vamos a isso”, acrescentando contudo: “opa”, como quem diz: “Oh Pá, não vai ser fácil vencer o Clã Azevedo e os seus pares”. Já o Eng. Sócrates terá dito “ooopa”, que é como quem diz: “Eu nisso não me quero meter, mas posso sempre mandar opa’s a uns comparsas amigos que vos podem ajudar…”
A partir daqui foi todo um “opa opa”, como quem diz toda uma panóplia de situações, truques, jogadas e opa’s lançados em todas as direcções e quadrantes, procurando salvaguardar o enorme conjunto de interesses em causa: “OPA! OPA!”.
Por fim, os “opa’s enviados pelo Sr. Granadeiro aos seus comparsas sortiram efeito e quando as opa’s se juntaram todas em assembleia, a trupe do Sr. Granadeiro saiu vencedora. Contudo a Autoridade da concorrência mandou logo um “opa” ao Sr. Granadeiro, como quem diz: “Sr. Granadeiro, lamentamos, mas o facto de se ter visto livre da opa da Sonaecom, não significa que não o venhamos a obrigar a assegurar as necessárias condições para a sobrevivência da concorrência (leia-se Sonaecom)”. Enquanto isto ia-se falando em eventuais “opa’s” enviados por mandatários do clã Azevedo para o senhor Abel Mateus da Autoridade da concorrência, assim como outros opa’s enviados pela Vodafone à Sonaecom e à PT-Multimédia, que deverá passar a ser independente da PT já em 2007, como quem diz: “o que acham da ideia de fazermos uma fusão e ficarmos a um passo de voltar a monopolizar o mercado das telecomunicações em Portugal?”
Posto isto meu caros, dizia-se há dias no jornal que a OPA tinha morrido, mas a mim parece-me que ela morreu mas ressuscitou logo depois, e há-de ensombrar o caminho das comunicações portuguesas nos tempos que se avizinham. OPA! OPA!

21 novembro, 2006

Vício do vazio

É estranho este mundo que nos vicia na ausência dos nossos sonhos. Vicia-nos no protelar das nossas vontades profundas. A realidade prende-nos a esta visão que temos do mundo, tão crua e tão dura. Esquecemo-nos tantas vezes de fazer as coisas que realmente queremos, que realmente nos trariam a felicidade. Ficamos presos e criamos raízes longe da porta dos sonhos. E ficamos ali, a olhar para eles, mas sempre presos à nossa vida impregnada de uma realidade pela qual não lutamos, preenchidos por uma liberdade que nos amordaça nos sentimentos. Abrimos mão da nossa existência nessas raízes que criámos e que nunca mais temos coragem de quebrar. Desistimos da nossa coragem para a aventura de existir. Confinamo-nos ao solo insalubre em que crescemos e abdicamos da nossa vastidão. E de repente tudo nos prende, e tudo nos arrasta, como uma corrente contra a qual não podemos lutar. Durante muito tempo é cedo demais para partirmos em busca das vontades que navegam e sufocam no nosso âmago, durante demasiado tempo ainda não é a altura certa. E quando damos por ela, em vez de ser demasiado cedo, já é demasiado tarde, e vai-se embora a pressa de viver… Vão-se embora os sonhos a cambalear na nossa amargura, e vai-se embora o tempo e a existência, e lá ficamos, a apodrecer em cima das nossas raízes e a olhar de soslaio para a porta dos nossos sonhos, enquanto sentimos punhaladas nas costas que sem sabermos nos são auto-infligidas pelo tempo que atiramos para trás das costas…

23 setembro, 2006

Sempre que te vejo chegar...

Sempre que te vejo chegar olho-te com ternura enquanto me pergunto donde vêm os instintos com que me assalta a tua presença...
Fico sempre sem saber se virão do amor que sinto por ti, ou se virão da minha ânsia de ser e sentir. Hoje, como no dia em que se tocaram pela primeira vez os nossos lábios, desejo dizer-te que te quero na minha essência, quero-te projectada nos meus desejos e anseios, quero ver-te reflectida no lago da minha memória e do destino em que não acredito.
Espero ter na visão de ti tudo o que sempre pedi, e espero ter a tua mão a segurar-me a emoção que salta em mim quando te vejo a sorrir para mim como quem ama.
Quero-te a querer-me desalmadamente, como se o amanhã estivesse tão longe que tudo tivesse de ser vivido naquele momento.
Quero saber-te na ilusão realista em que pousa o meu olhar quando me espanto de tanta beleza que vejo no mundo. Quero-te aqui agora, e também te quero na imagem autêntica que estou a criar sobre mim próprio…

08 setembro, 2006

Descargo de Consciência


Entre aquilo que somos e aquilo que nos
condiciona está perdida algures a nossa autenticidade. Sem nos apercebermos remetemo-la constantemente para segundo plano.
Há constantemente coisas que fazemos sem sabermos porquê… Muitos dizem que as fazemos por descargo de consciência, mas o que quer isso dizer realmente?
Impõe-se então a questão, porquê o pé direito, porque é que à terceira é de vez, porque é que os gatos pretos dão azar, porque é que um trevo de 4 folhas dá sorte, porquê os amuletos da sorte e outros tant
os artefactos que insistimos em usar para nos protegerem disto e daquilo, porquê?
A resposta é: por Descargo de Consciência! “Se não fizer bem, mal também não faz”. Pois parece-me que o descargo de consciência faz mal ao nosso livre arbítrio. Tudo bem que não é pelo facto de acharmos que despejar azeite à mesa dá azar que somos menos autênticos ou livres. Mas de qualquer das formas parece-me estranha a forma como coisas tão absurdas nos penetram na mente. Uma consciência livre começa nesses pequenos pormenores…
Porque é que tanta gente reenvia “mails” do género “se reenviares este e-mail a 100 pessoas os teus desejos concretizar-se-ão em 5 minutos, se não, terás 10 anos de azar.” O que pensarão as pessoas que reenviam estes “mails”? Que a sina da sorte e do azar anda perdida entre as ligações electrónicas e as bases de dados da rede de comunicações global? E porque é que as pessoas não deixam de reenviar esse tipo de “mails” logo que vêm que à passagem do 5º minuto os seus desejos não se concretizaram? Por descargo de consciência! Será que as pessoas têm noção de que existem pessoas que ganham milhões dedicando-se a aproveitar esse tipo de mensagens para se apoderarem dos endereços alheios e vendê-los a agências de publicidade que pagam caro pelas listas de endereços às quais posteriormente enviam publicidade?
Além disso, há qualquer coisa no “descargo de consciência” que me faz lembrar da diferença entre aqueles alunos que estudam para o exame, e aqueles que não estudam e depois, por descargo de consciência, levam o seu trevo da sorte, ou quiçá a sua pata de coelho, e entram de pé direito na sala, benzendo-se e pedindo a ajuda divina…
Ora bem, a não ser que se escreva o copianço na quarta folha do trevo, ou na sola da bota do pé direito, quem estuda para o exame tira certamente melhores notas por isso não vejo qual a vantagem dessas acções que se fazem por descargo de consciência…
Posto isto, começo a achar que o Descargo de Consciência tem a ver com outra coisa. Quando o aluno que estuda se sai mal no exame, pensa que talvez devesse ter estudado mais. Mas aquele que se benze e clama pela ajuda da sorte, quando tem um mau resultado não questiona a eficiência do seu método, parece nunca perceber o que raio terá corrido mal… Se calhar, além do trevo, devia ter levado uma ferradura de cavalo para dar sorte, ou então esqueceu-se de entrar com o pé direito na sala, ou pior ainda, terror dos terrores, avistou um daqueles animais ronronantes de quatro patas preto.
Infelizmente parece-me que o exemplo do aluno que estuda e do aluno que confia nos trevos, pode analogamente adaptar-se a uma série de outras situações… Estou a lembrar-me por exemplo que sempre que entro num shopping me interrogo sobre o porquê das pessoas não caminharem nos tapetes rolantes. O mundo stressante em que vivemos faz-nos andar sempre com pressa de um lado para o outro. Então, colocaram tapetes rolantes nos centros comerciais para que fosse possível às pessoas deslocarem-se mais rapidamente lá dentro. Agora pergunto eu, será que já alguém reparou que os tapetes rolantes são extremamente lentos? Fico então sem perceber o porquê de sempre que alguém lá coloca o pezinho deixar imediatamente de mover as perninhas em cima desses objectos rolantes. É certo que demoram o triplo do tempo a chegar onde quer que seja em cima daqueles tapetes, mas 99% das pessoas optam por ir paradas lá em cima e isto só pode querer dizer uma coisa: as pessoas gostam de ser levadas onde querem sem terem que se esforçar. Os tapetes rolantes são portanto trevos de quatro folhas disfarçados, são três pancadas secas num pedaço de madeira, são descargos de consciência, assaltam-nos como loucos convencendo-nos a não usar os nossos próprios meios…
Fora de exemplos irónicos que só tocam ao de leve as situações que verdadeiramente se pretende retratar, a verdade é que parece que as pessoas pensam que a sorte ou o azar anda por aí aos pontapés, mas não anda…
Criam-se uns mitos estranhos que não se percebe de onde vêm e ouve-se tão frequentemente o “dizem que…” que muitos o tomam como verdade absoluta… É a sabedoria do Povo dirão uns, o senso comum dirão outros querendo dizer a mesma coisa. Mas eu continuo a achar que o que fazemos por descargo de consciência se reveste realmente duma consciência descarregada pois está próximo da incompreensão e incoerência, mais parecendo um acto inconsciente.
Na minha modesta opinião, “descargos de consciência”, sejam lá quais forem, não resultam. Claro que quem quiser acreditar que assim não é, pode sempre dizer um “ai livre-nos deus nosso senhor” e bater três vezes na Madeira, certificando-se de que é mesmo Madeira e da boa, para que tal afirmação não possa nunca tornar-se verdade…
A não ser que… já seja verdade…

11 julho, 2006

Portugal...

O Post que se segue não é da minha autoria, mas achei que ficava bem dizer tudo isto...
"BANDEIRAS DE PORTUGAL NAS JANELAS...

Cá por mim, vou pôr uma Bandeira na janela, quando:

- Portugal deixar de ser o país da Europa com maior indice de abandono escolar analfabetismo e corrupção
- Em Portugal, ninguém que trabalhe ou queira trabalhar ou tenha trabalhado toda a vida, ou que não possa trabalhar, passe fome
- O desemprego não for um designio nacional
- A classe política deixar de ser maioritáriamente composta por incompetentes patéticos - Se construirem menos Centros Comerciais maiores da Europa do que Centrpos de Saúde, Hospitais, Escolas e Infantários
- Na ESBAL, os alunos não tenham que ir para as aulas com um balde, para apanhar a àgua que escorre dos tectos
- Não se tiver que retirar os pianos de uma sala de uma Escola Superior de Música, porque o chão ameaça ruir
- Os morangos com açúcar sejam exclusivamente uma sobremesa
- Acabar a pouca vergonha do Estado(com o dinheiro dos cidadãos) gastar 3..500.000€ com transportes dos Deputados e milhares de cidadãos não terem dinheiro nem para comprar o passe
- As crianças e os velhos forem tratados com dignidade, pelos pais, filhos, professores, educadores, instituições e políticos
- Os papás ensinarem as crianças que os Professores devem ser respeitados
- Todos os professores forem competentes
- A polícia deixar de fingir que não vê as lutas de pit-bull nas diversas Trafarias do País, bem como as corridas a 250 Km/h em várias Pontes Vasco da Gama do País, às 6ªs feiras à noite
- As televisões entenderem que, ao transformar os Incêndios em grandes espectáculos de variedades, estão a transformar os incendiários em realizadores e produtores de grandes programas de televisão, o que os enche de vaidade e é altamente motivador
- Se investigar como é que aquele senhor arranjou dinheiro para comprar o Ferrari
- A violência doméstica, a pedofilia,a violação e todos os crimes cometidos contra crianças, forem punidos com 50 anos de cadeia
- Os novos submarinos forem trocados por equipamento para apetrechar condignamente todos os hospitais e escolas do país, e com o que sobra, se comprar tractores e traineiras.
- Os Portugueses perceberem que as figuras do CONTRA-INFORMAÇÃO, não são caricaturas, mas o retrato fiel das pessoas retratadas.
- Os bébés das mães portuguesas, deixarem de ir nascer a Badajoz
- A selvajaria anual de Barrancos, acabar por falta de espectadores
- Os jornais, revistas, programas de rádio e de televisão, chamados de desportivos souberem que além do futebol, se praticam mais 347 outros desportos e que mesmo no futebol, há outros Clubes além do Sporting, do Benfica e do Porto
- Não houver 19 causas nº 1 de morte em portugal, conforme o idiota que estiver na altura a ser entrevistado na televisão ou na rádio
- O Joel Costa, que faz crónicas na Antena 2, for condecorado no Dia de Portugal, em vez do Mourinho
- Não houver ninguém a afirmar que há 700.000 portugueses com reumatismo, 1 milhão com asma, 500.000 impotentes, 350.000 c/ osteoporose, 800.000 c/ transaminase pélvica, 430.000 c/ tuberculose, 685.000 c/ deficiência renal, 6.780.000 c/hipertensão, 2 milhões c/sinusite claustrofóbica, 843.000 c/ panaríceos isquémicos galopantes, 2.400.000 c/ problemas auditivos, 300.000 com hérnias discais, 210.000 c/ béri-béri abdominal, 780.000 c/ diversos tipos de cancro 600.000 c/ hipersíase traqueovisceral crónica, para preocupar as pessoas com a prevençao e os médicos cobrarem 80 € por consulta
-Não houver nenhum 1º Ministro que tenha a lata de de abandonar o País à má fila, em plena crise, para ir sôfregamente atrás de um qualquer tacho mais aliciante
- A gripe das aves não tiver direito a mais do que 1 minuto de tempo de antena, por mês, incluindo a informação de que morreram 1 indonésio e 2 chineses, quando nos 5 segundos que demorou a noticia, moreram mais de 700.000 pessoas com outras 250 doenças e 300.000 crianças morreram de fome, de malária e de cólera em África
- Nenhum governante tiver o desplante de dizer que “abriu a época oficial de incêndios”
- O nº de óbitos motivados por incompetência ou negligência médica for zero
- A TVI encerrar por total falta de audiência
- O Estado, e os homens do espectáculo, pedirem desculpas públicas , póstumas, ao José Viana
- A população não eleger para Presidentes de Câmara indivíduos fugidos à justiça
- A maioria dos Jornalistas souber falar e escrever português, e deixar de fazer constantemente perguntas idiotas aos entrevistados
- Houver, no estrangeiro, tantas pessoas que conheçam o Eusébio, o Figo.o Cristiano Ronaldo e o Mourinho, como o Camões, o Prof. Agostinho da Silva, O Maestro Vitorino de Almeida, O Prof. Vitorino Nemésio, o Fernando Pessoa e muitos, muitos outros que nunca deram um pontapé numa bola.
- Houver tantos Portugueses que sabem quem são, a Maria João Pires e a Helena Vieira da Silva como os que sabem quem são o Pinto da Costa, o Valentim Loureiro, o Luis Filipe Vieira, o Manuel Goucha, a Cátia Vanessa, o Abrunhosa, a Júlia Pinheiro, a Quicas Vanzeler, e o Mantorras
- As Helenas Vieira da Silva não tiverem que emigrar para fazer carreira em países civilizados
-O peixe não chegar às mesas de quem o pode comprar 10 vezes mais caro do que foi vendido nas lotas, para que mais pessoas o possam comer e menos intermediários se possam encher
-Os caçadores deixarem de, sistemáticamente, abandonar os cães, no fim da época da caça ou, forem presos se o fizerem
- Os autores dos programas infantis de televisão, perceberem que uma criança não é um atrasado mental
- Os pequenos e médios Empresários Portugueses não comprarem o 2º Mercedes e a casinha no Algarve, antes de pagarem os ordenados que devem aos Trabalhadores, as Facturas que devem aos Fornecedores, e as contribuições que devem à Segurança Social e ao Fisco
- Os projectos Aeroporto da Ota e TGV, tiverem sido unicamente brincadeiras de mau gosto
- O Estado e as Câmaras Municipais pagarem os milhões que devem aos Fornecedores e outras Entidades credoras
-Se o Estado for condenado a pagar indemnizações, devidas a erros cometidos pelos Governantes individualmente, elas sejam pagas do bolso desses governantes responsáveis e não pelo Estado, pois o dinheiro do Estado é de nós todos e não fomos nós que fizemos a asneira
- Os alunos dos diversos graus de ensino, passarem de ano por terem tido notas para isso e não porque os papás apresentaram recursos idiotas e os Professores e os membros dos Conselhos Directivos tenham medo de perder o Emprego
- As milhentas estações de rádio e as televisões, que só divulgam Anjos, Batnavó, Clãs, Papaossos, Toutaver, Andacáquésminha, Blindtreta, Tarantantan, Fuckyou, Put your finger in my ass, Alex’s e Toni’s, Magdas Vanessas, Cátias Tampinhas, Carlas Bzz e mais 3.500 grupos e “artistas” da nossa praça, utilizarem 10 minutinhos por dia a divulgar a música dos Mozarts, dos Beethovens, dos Schuberts, dos Tchaikovskys, dos Verdis, dos Puccinis e de mais 50000 compositores que se entretiveram, no seu tempo a fazer música (a musiquinha ainda não tinha sido inventada) e os Gershwin’s, os Bernsteins, os Casals, os Rodrigos e muitos outros que fizeram música, mesmo depois das musiquinhas terem sido inventadas
- Nenhum ministro, nenhum professor, nenhum jornalista disser tênhamos ou póssamos
- Não for possível ouvir no noticiário de uma rádio uma “jornalista” dizer frases como esta: “A Câmara de Lisboa tem um projecto para a construção de um viaduto sobre o bairro da Graça, para facilitar o tráfico no local”, ou outros 500 dizerem que “Um batalhão da GNR vai para Timor, sobre o comando do Major Lopes da Silva” ou outros 1500 dizerem : “O Ministro Lopes da Silva foi um dos primeiros que chegou ao local do incêndio”
-Houver mais pessoas a ouvir os Madredeus do que o Quim Barreiros
- Não for possível assistir ao espectáculo degradante, porque hipócrita, de ver candidatos a eleições, nos Mercados a dar beijinhos às peixeiras, (óbviamente, na maioria dos casos, completamente enojados)
- Não for possível assistir ao espectáculo deprimente, com direito a transmissão em directo pela televisão, de um 1º Ministro ir a Troia, com toda a comitiva, para a varanda de um apartamento alugado e pago com o dinheiro dos nossos impostos, carregar num detonador faz-de-conta (de cartão e esferovite), para teatralizar a implosão de um prédio abandonado, como se se tratasse do lançamento de uma nave para a lua, com 3 astronautas portugueses a bordo
- As obras públicas, que são pagas com o nosso dinheiro, deixarem de custar sistemáticamente mais do dobro do que foi orçamentado e adjudicado e que a palavra “derrapagem” seja substituída pela palavra “roubo”
-Nas greves, deixe de ser possível,sistemáticamente, o Governo ou as Administrações das Empresas dizerem que houve uma adesão de 15% e os Sindicatos dizerem que a adesão foi de 95% (um deles, ou os dois, estão a fazer de nós, palhaços)
- Os Polícias não tiverem medo dos Ladrões, os ladrões tiverem medo dos polícias e os cidadãos normais não tiverem medo dos polícias
- Figuras ridículas do tipo Zés Castelo Branco, Cinhas e outros Jardins, Hermans Josés (pós 1995) Lilis Caneças e mais 5.000 figuras destas que aparecem na televisão e nas Revistas, bem como os Editores das mesmas, estiverem internadas em Unidades de Saúde Mental
- O sr. Marques Mendes não tiver a lata de criticar o sr. Sócrates por ter aumentado o IVA de 19% para 21%, e de vender património, quando no Governo anterior, da cor dele, a primeira medida que foi tomada, foi aumentar o IVA de 17% para 19%.e ao longo do mandato, só não se ter vendido a Torre de Belém, os Jerónimos e o Convento de Mafra porque não apareceu nenhum dos grandes Empresários da nossa praça, interessado, já que nenhum destes edificios dá para transformar em Centro Comercial
- Os médicos , fizerem greve para obrigar os Governos a dar condições de assistência digna aos cidadãos, em vez de as fazerem exclusivamente por motivos de dinheiro
-Os professores fizerem greve para obrigar os Governos a transformar o ensino numa actividade digna para eles e para os alunos e não só por motivos de dinheiro e outros interesses pessoais
- Os Trabalhadores e os Médicos que validam baixas fraudulentas, forem presos
- As Empresas deixarem de adulterar as Contas, para fugir ao Fisco
- Os Professores Fernandos Páduas e outros, derem uma trégua às campanhas histéricas anti-tabaco e começarem uma campanha anti-alcool, que é incomparavelmente mais prejudicial à Sociedade do que o tabaco (mesmo que eles bebam que nem esponjas) .
- As áreas de serviço das auto-estradas deixarem de ter clientes, por as pessoas não gostarem de ser escandalosamente exploradas
- Não houver mais telemóveis topo de gama do que cidadãos
- Todos os comentadores da bola que debitam verdadeiros tratados de futebol na televisão e na rádio e escrevem nos pasquins, forem contratados para treinadores dos maiores clubes, pois só assim esses clubes podem ser todos campeões
- Os médicos deixarem de se pavonear nos corredores e nos bares dos hospitais, com o estetoscópio pendurado ao pescoço, pelo mesmo motivo porque os informáticos não andam com o rato, as costureiras não andam com a fita métrica, os boxeurs não andam com as luvas de boxe, os jogadores de snooker não andam com os tacos e os bombeiros não andam com as mangueiras
- Os milhentos dirigentes das milhentas Fundações, fizerem alguma coisa útil, além de receber o ordenado
- Não for verdade que os Deputados faltaram em massa ao trabalho para irem passar um fim de semana prolongado, ao Algarve e isso ser a coisa mais natural da vida
- Nenhum médico operar o pé esquerdo, são, de um doente que tinha um problema grave no pé direito e, no fim, justificar-se com: “até foi bom, porque assim, já não vai ter o problema no pé esquerdo” sem ser imediatamente expulso da Ordem dos Médicos
- Só houver palhaços, nos circos
- A Publicidade enganosa levar os anunciantes, à prisão
- Os projectos de construção forem efectuados por Arquitectos e Engenheiros, e os construtores civis só tratarem da construção
- Se souber o resultado de UM SÓ dos inquéritos que se diz terem sido levantados a diversas figuras públicas e Entidades oficiais, pela presunção de diversos crimes
- Nas clínicas privadas a grande maioria dos partos deixar de ser feita por sezariana com data marcada, porque uma cezariana factura muito mais e dá muito mais honorários ao médico, do que um parto natural
- As jóias, os Rolls, os Ferrari, os Maserati, os Porshe, os Veleiros, os Rolex ,os telemóveis topo de gama, as lagostas, o caviar, os visons, etc, forem taxados a 500% de IVA , os automóveis de 1000cc, a 5% e as batatas, o arroz, o azeite, o leite, o açúcar, a fruta, as couves, o pão, os ovos, os frangos, e os transportes públicos, a zero.
- Encontrar num restaurante ou num café em Portugal, mais empregados portugueses do que brasileiros
- Os fumadores, que querem deixar de fumar, perceberem que os medicamentos e produtos anti-tabaco que apareceram, de repentente, no mercado, como barabuntas e que custam balúrdios, são óptimos para enganar os papalvos e encher os Laboratórios ainda com mais lucros
- O futebol voltar a ser um desporto
- Os nossos deficientes que vão aos Jogos Paralímpicos, não precisem de andar previamente a fazer peditórios públicos para arranjarem dinheiro para as despesas de deslocação aos mesmos e tenham direito a ser falados em caixa alta, nos jornais, nas rádios e nas televisões, quando estão a competir e quando regressam, carregados de medalhas (ou não)
- No dia da partida para o Rali LISBOA-DAKAR, a 1ª página d’A BOLA(que tem a lata de se chamar de jornal desportivo), não seja totalmente preenchida com uma fotografia gigante do Nuno Gomes e o título “O HOMEM DO ANO”
- As ementas dos restaurantes no Algarve estiverem escritas em português
- Entre os indivíduos que têm poder para instalar sinais de trânsito, não haja nenhum pateta
- Ninguém for ao aeroporto, à chegada da selecção nacional, eliminada do campeonato do mundo, só para ofender selváticamente o seleccionador nacional
- Nas escolas de condução se ensinar as pessoas a conduzir, em vez de ensinar a fazer inversão de marcha, a arrumar o carro e a não deixar o motor ir a baixo
- Os Joões Pintos, os Sabrosas, os Decos, que proliferam no futebol português. apanharem 20 jogos de suspensão, cada vez que simulam um penalty, da mesma forma que quem rouba uma carteira vai preso
- Os meus filhos e todos os outros Portugueses da sua geração, puderem planear a vida a mais de 3 meses e os meus netos e os dos outros Portugueses, tiverem alguma perspectiva de viver um futuro com dignidade

- E por fim, quando conseguir uma consulta de Oftalmologia no Hospital Egas Moniz, que pedi há mais de um ano

No dia em que tudo isto, ou quase tudo isto, acontecer, juro que ponho Bandeiras de Portugal bem grandes em todas as janelas da minha casa (se ainda tiver casa, se a casa ainda tiver janelas e se Portugal ainda existir)

mesmo que a selecçãol NÃO SEJA apurada para o Mundial de Futebol !

Até lá, fico recolhido em casa com as janelas bem fechadas, cobertas com cortinados bem opacos"

04 junho, 2006

O Regresso

-Onde vais?
-Oh! Vou ali e já volto.
-Tem cuidado com os espinhos do caminho que traças.
-Eu disse que já volto!
-Sim, mas tem cuidado...

-Voltei!
-Porque demoraste tanto tempo?
-Porque não te dei ouvidos!
-Não! Porque precisavas aprender a lição.
-Mas perdi tempo para aprendê-la...
-Perderias muito mais sem a saberes. Agora sabes evitar os espinhos...
-Não, não sei... Simplesmente tenho medo deles...
-Receias as marcas que te deixaram no corpo.
-É Verdade!
-Então de nada te valeu a lição...
-Valeu sim! Aprendi a evitar os espinhos, agora evito-os.
-Não! Não valeu! Devias ter aprendido a acariciá-los, a moldá-los. Devias tê-los convencido a não te picarem mesmo que lhes tocasses.
-Porque dizes parvoíces?
-Não, não lhes chames isso, não sejas ignóbil!
-Vá diz-me lá tudo o que pensas dos meus actos e da minha demora em chegar. Pica-me com os espinhos que envergas nessa tua carapaça. Com os espinhos que tu também não acariciaste!
-Não! Não quero...
-Pensas que não vives tu também cercada de espinhos dos quais não tens consciência? Admite-os tu também.
-Tu que foges dos teus e que não cumpres a tua palavra, como ousas dizer-me tal coisa?
-Não sejas tu ignóbil! Julgas que alguém escapa aos espinhos, julgas que algum humano é capaz de dominar o espeto de todos os espinhos? Admite as tuas fraquezas, por quem te tomas?
-Por alguém que ousa compreender e acariciar os espinhos...
-Julgas-te Deus?
-Oh! Deus não existe!
-Deus não existe mas tu és serva de ti própria!
-Sim, mas isso é porque Deus existe dentro de mim própria.
-Então Deus existe!
-Chama-lhe o que quiseres...
-Chamo-lhe Deus então.
-Não lhe chames essa palavra tantas vezes invocada em vão e no vácuo. Aprende a acariciar os teus espinhos, e conhecerás Deus.
-Que falta de modestia!
-Não! Não se trata de falta de modestia, trata-se de admitir a nossa pequenez, mesmo com Deus dentro de nós, com espinhos que dominamos e com outros que envergamos na carapaça.
-Admites que exibes espinhos quando te enrolas na casca...
-Admito, porque Deus não existe em nenhuma outra dimensão para além daquela que deambula no meu íntimo.
-Está bem!
-Pois está bem! Mas tu demoraste, e agora tenho todos estes espinhos na carapaça para que aprendas a moldar a acariciar e a amar. Alimentaram-se da tua ausência. E agora que chegas, este tempo depois, e nem sequer a lição aprendeste. Desiludes-me!
-Sim, mas amo-te ainda assim.
-Ah! Não sejas cobarde, não tivesses tu partido e os espinhos que envergo não estariam comigo.
-Não tivesse eu partido, e nunca teria aprendido a viver com eles.
-De que te adiantou aprender a viver com eles, se foges deles? És um fugitivo, um eremita, por quem te tomas tu?
-Não sejas cruel comigo. Eu sou humano.
-Sim és! E fraco...
-Vou então partir de novo.
-Vai então e não voltes que agora vou aprender a acariciar os meus espinhos com a tua ausência definitiva.
-Envergá-los-ás para sempre e a culpa é minha. Desculpa.
-Não me digas isso...
-Danificamos o amor e agora é irrecuperável, assassinado pelos espinhos que fomos aprendendo a envergar para ameaçar as fraquezas dos outros.
-Somos fracos porque nos julgámos fortes quando envergamos espinhos na carapaça.
-Seríamos fortes se reconhecêssemos as nossas fraquezas sem eles.
-Tenho espinhos para ti e amo-te ainda assim...
-Vou então partir.
-Não voltes nunca mais.